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Do Editor: Energia solar vem para ficar

Dois dados interessantes a respeito do assunto recentemente. O governo federal fará dois leilões este ano, em setembro e outubro, para a construção de um parque de energia solar no País. Já não era sem tempo.

Energia limpa, renovável, cujo maior inconveniente é o uso do solo para a instalação dos painéis ou estações. O que envolve a desapropriação da terra, pagamento de indenizações e etc. For a isso, o Brasil, ensolarado como é, tem tudo para adotar essa alternativa como uma de suas principais fontes de energia.

Na Alemanha, por exemplo, se produz mais de 32 mil MW de energia solar. Na Itália, 16 mil MW. E são países territorialmente menores e com menos insolação do que o Brasil. Por outro lado, China e EUA estão investindo pesado em tecnologia de captação e armazenamento de energia solar.

Já há cerca de 200 projetos interessados em participar dos leilões por aqui, todos visando a geração de energia que será comprada pelo próprio governo a R$ 250 o MWh.

Painéis solares no telhado do Novotel Morumbi, em São Paulo: uso em expansão
Painéis solares no telhado do Novotel Morumbi, em São Paulo: interesse em expansão

Sob o prisma do mercado de luxo, há uma grande oportunidade também. Energia limpa associada a produção de luxury goods em território nacional seria uma forma de diferenciar a indústria e os serviços de luxo brasileiros do resto do mundo. Hotéis já têm feito essa escolha com mais frequencia, se provendo do Sol para aquecimento térmico de caldeiras, piscinas, ambientes. Mas há muito ainda o que investir e aproveitar dessa possibilidade. Vamos apostar e propagar nessa ideia?

Fabiano Mazzei

Do editor: um rio que passou em minha vida…

Domingo de sol no outono paulistano. Tomado por um espírito olímpico, deixei a preguiça em casa, tirei a poeira da bicicleta e decidi desbravar a ciclovia que margeia o rio Pinheiros, bem perto de onde moro. Devidamente aparamentado, peguei as faixas reservadas aos ciclistas domingueiros, ali pela altura do Parque Villa-Lobos, na zona oeste da cidade, até chegar ao ponto de acesso mais próximo da ciclovia, na ponte Cidade Universitária.

Tudo bem estruturado, escadas com trilhos para os pneus das bikes, banheiro, vigias. A pista em si, sem buracos e bem sinalizada, surpreendeu.

Fazia calor, mais de 25ºC com certeza, dia bonito, céu azul. Propício para o passeio. Mas… Pedalar na ciclovia exige mais do que preparo físico. Nem tanto pela distância a ser percorrida, nem pelo tráfego, contido, apesar da manhã ensolarada. Pedalar ali exige conviver com a poluição paulistana. Sonora, visual, olfativa.

A proximidade das pistas expressas das marginais gera ruído desconfortável, além de poeira e fumaça em níveis muito acima dos suportáveis a quem se propõe a praticar esportes na ciclovia. E o odor vindo do rio morto chega a ser impossível em certos trechos.

Me bateu uma tristeza enorme. Como podemos chegar a esse ponto? Como deixamos o rio morrer assim? Como pudemos privilegiar tanto um meio de transporte tão nocivo em detrimento de formas mais limpas de locomoção? Como nos permitimos perder uma área imensa como as margens dos rios Pinheiros e Tietê, transformadas em depósito de lixo por décadas, para entupir de gente shopping centers e estradas de fuga rumo ao litoral e ao interior?

De imediato, me recordei de uma viagem a trabalho que fiz em 2009 ao sul da França. Em Montpellier, capital daquela região, há um rio que também corta a cidade, o rive Du Lez, preservado, limpo, utilizado como espaço de lazer. É em uma estrutura temporária montada todos os anos sobre suas águas que acontece o FISE (Festival International des Sports Êxtremes). Uma loucura. Sobre o rio, pistas de skate, bikes, halfs, tudo para receber essa turma que adora adrenalina. Nas margens, multidões de jovens do mundo todo se divertem sentados nos jardins e nas pontes, admiram, bebem, paqueram, curtem a música e o evento. Nos acessos, lanchonetes, bares, lojas, tendas de entretenimento, gerando receita e empregos aos jovens.

Puxa vida, temos um rio parecido bem no meio da maior cidade do Brasil. Um local que, se preservado, sediaria eventos semelhantes o ano todo, todos os anos. Daria opção de lazer a todos, de graça, em comunhão com a natureza e a cidade. Fora a geração de renda, empregos, a fomentação da cultura.

Mas não. Nossos rios urbanos não permitem aplausos, já que precisamos das mãos para tapar o nariz ante o odor fétido gerado por anos e anos de irresponsabilidade política e social. Que tristeza que me deu esse passeio…

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