Arquivo da categoria: Arquitetura

Puxadinho padrão Fifa ou condo chique?

Que tal transformar os estádios da Copa do Mundo em condomínios verticais com moradias populares? É o que propõe o escritório de arquitetura 1WEEK1PROJECT. A dupla Axel de Stampa e Sylvain Macaux criou o projeto Casa Futebol, com alternativas de habitação para as arenas “padrão Fifa” – muitas delas, como se sabe, mal serão utilizadas por estarem situadas em estados onde o futebol local não é, digamos assim, uma Brastemp.

Os arquitetos não eliminariam a função principal dos estádios. O gramado, o campo, as arquibancadas, enfim, permaneceriam instalados e recebendo jogos de futebol. O entorno e parte da estrutura externa que, sim, ganhariam módulos, habitáculos presos e suspensos.

Projeto de reaproveitamento de grandes estruturas semelhantes foi desenvolvido pelo arquiteto Richard Rogers em Barcelona. Na cidade catalã, o Las Arenas de Barcelona, palco das famosas touradas do país basco, erguido no século 19, cedeu lugar e foi transformado há quatro anos em um imenso centro de compras chique.

De toda forma, é no mínimo polêmica esta ideia. E o que os arquitetos não devem saber é que, no Brasil, a coisa é mais embaixo.

A começar por quem teria direito a estas casas nos estádios. Seria um cadastro como o Minha Casa, Minha Vida, do governo federal? Esquece, não é obedecido, haja visto o que tem acontecido com os invasores de terrenos públicos, que acabam furando fila na distribuição das casas populares inclusive com a anuência dos próprios fiscais do programa.

E se for a iniciativa privada a gerir a ideia? Esqueça também. As moradias se tornariam condomínio de luxo, vendidas a preços exorbitantes, haja visto que estariam posicionadas como camarotes VIP sobre o gramado das arenas.

Enfim, de toda forma, vale para refletir sobre qual o futuro real dos estádios da Copa nas próximas décadas.

http://www.1week1project.org

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Tivoli Ecoresidences: alto luxo com baixo impacto

(postado em abril de 2013)

Condomínio de luxo integrado ao hotel Tivoli Praia do Forte, na Bahia, o Ecoresidences foi lançado em 2012 com o propósito de oferecer casas de alto luxo na praia. À reboque, os futuros donos poderiam usufruir dos serviços cinco estrelas do resort. Tudo muito bem, mas a preocupação ambiental do blog era justificada. Afinal, a implantação de 42 residências em uma área de 153 mil metros quadrados teriam o seu custo, o seu impacto no meio ambiente.

Procurei, então, os responsáveis pelo projeto, orçado em R$ 72 milhões e  assinado pelo escritório Bernardes&Jacobsen Arquitetura. A entrevista a seguir é com João Eça, diretor do Tivoli Ecoresort e Ecoresidences, que revela a preocupação com a sustentabilidade e sua relevância na hora de se investir em empreendimentos do calibre do Ecoresidences.

Luxo Sustentável – Como foi concebido este conceito de empreendimento imobiliário de alto luxo com a sustentabilidade?

João Eça – Este é um empreendimento único no País onde a sustentabilidade foi o alicerce para o desenvolvimento do projeto. Além do cuidado constante com o uso eficiente de energia e água, utilização de materiais ecologicamente corretos nas construções, houve uma preocupação em causar o menor impacto possível ao meio-ambiente, ao mesmo tempo em que valorizamos nossos colaboradores e comunidades do entorno.

Luxo Sustentável – Pelo que vi, as casas usam muita madeira em suas plantas, desde a estrutura ao acabamento. Que tipo de materiais foram utilizados?

João Eça – A madeira empregada na estrutura dos telhados e pilares dos pavimentos superiores é o  eucalipto autoclavado, com certificações ambientais, proveniente de reflorestamento. O eucalipto ganha longa durabilidade após um tratamento industrial limpo e foi usado em vigas, peças estruturais e até em peças ornamentais.

 

Projeto tem farto uso de madeira certificada como eucalipto, além de piaçava de manejo sustentável no telhado
Projeto tem farto uso de madeira certificada como eucalipto, além de piaçava de manejo sustentável no telhado

 

Luxo Sustentável – Em quais outras partes do projeto foram utilizados materiais ecológicos e renováveis?

João Eça – No telhado, por exemplo. A cobertura das 42 casas é de piaçava retirada das árvores, colhidas apenas uma vez por ano. Esta é uma atividade extrativista, que gera  emprego (meio rural e urbano) e preserva o meio ambiente, assegurando o sustento de muitas famílias. Há ainda as fibras de dendê no forro de taquara, e as madeiras Cumaru (decks, rodapés) e louro freijó (esquadrias), que  possuem documento de origem florestal. Isto comprova a legalidade da extração/origem e transporte.

Luxo Sustentável – Como é feito o tratamento de esgoto do condomínio?

João Eça – Não há estação de tratamento de água e esgoto próprios. O fornecimento de água potável é feito através da concessionária Embasa. Existe uma rede interna de esgotamento sanitário que foi ligada a rede pública da Embasa.

Luxo Sustentável – Qual o diferencial deste projeto no quesito sustentabilidade?

João Eça – O diferencial é o projeto em si. Além dele estar implantado em Área de Proteção Ambiental, em terreno de 153 mil m², o condomínio ocupa apenas uma taxa inferior a 10% da área.  Outro diferencial é o projeto paisagístico realizado por Fernando Chacel onde a premissa básica foi a preservação da vegetação de restinga existente.

tivoliecoresidencespraiadoforte.com 

 

 

Estúdio usa 40 mil garrafas pets recicladas para proteger do frio

Um dos trunfos deste estúdio em Vicenza, na Itália, é aliar o consumo zero de energia com o máximo de reaproveitamento de materiais. Chamado Tvzeb studio, ele é abastecido integralmente com energia vinda de 16 painéis solares no teto, de uma fonte geotérmica e um forno à lenha que produz o aquecimento e a iluminação dos ambientes.

O teto é de aço reciclado. As paredes tem estrutura que combina madeira reflorestada e isolamento térmico, inclusive do forro, com 40 mil garrafas pet. Há grandes janelas de vidro que interagem com o jardim externo e tem máximo aproveitamento da luz do sol, que é complementado por um sistema de LEDs com três níveis de iluminação diferentes.
A Tvzeb é criação do estúdio italiano de arquitetura traverso-vighy.

traverso-vighy.com

 

 

 

 

Jardim nos céus de Milão

Este é daqueles projetos que me deixam com a pergunta: por que não temos nada parecido? O Bosco Verticale, conjunto de duas torres em Milão – uma das cidades mais quentes e poluídas do mundo – com um verdadeiro jardim vertical, está com as obras a pleno vapor. O primeiro tijolo foi colocado há dois e anos e já se pode ver as primeiras árvores sendo içadas nesta semana para a montagem do bosque  que será plantado nas sacadas e no terraço do topo.

Serão 480 árvores de grande porte, 250 pequenas, 5 mil arbustos e 11 mil de espécies rasteiras. Todas foram previamente plantadas exclusivamente para os prédios.

A vantagem das plantas: elas refrescarão o ar no verão e protegerão os apartamentos no inverno de ventos e neve. Além, claro, de capturar o CO2 que adoramos produzir…

O projeto é do italiano Stefano Boeri. Daí fico pensando. Por que não em São Paulo, com tantos prédios de luxo subindo na base do concreto e vidro? Por que não no Rio (que construiu aquela aberração na Barra chamada Cidade da Música)?

stefanoboeriarchitetti.net

Ilha da Fantasia

Construída pelo bilionário francês Sir James Goldsmith para ser sua casa de veraneio, na Riviera Maia, no México, a propriedade ganhou uma finalidade mais nobre no final dos anos 80. Foi quando a propriedade passou a se chamar Cuixmala Resort, uma reserva de 25 mil hectares de praias intocadas, lagoas e florestas tropicais.

No edifício principal, 36 suntuosos quartos deslumbram com ângulos específicos para o paraíso. A arquitetura das acomodações chama a atenção dos hóspedes porque lembram palacetes com referências norte-africanas e mediterrâneas.

Onde ele ganha na disputa com outros resorts da costa do Pacífico mexicana? O hotel possui uma fundação, a Eco-Cuixmala, que apoia projetos de proteção do ecossistema local e incentiva práticas sustentáveis nas comunidades vizinhas, como o reflorestamento e a agricultura orgânica. E no restaurante, apenas produtos cultivados na propriedade do hotel.

cuixmala.com

Drops Eco-Hotel, uma saída

A aparência de uma cápsula, de forma orgânica, remete quem vê a um futuro de filmes de ficção. E, sim, estas cápsulas podem dizer muito a respeito do futuro de como se hospedar daqui para frente.

Chama-se Drops Eco-Hotel, um projeto do escritório catalão In-Tenta, que consiste em quartos de hotel sustentáveis, com estrutura de madeira de reflorestamento e aço reaproveitado, sistema próprio de água e esgoto tratado e, principal qualidade, são removíveis. Ou seja, não precisam ficar eternamente no mesmo local, interferindo no meio ambiente.

Há inúmeras vantagens neste projeto móvel de quartos para hotel – que, em tempo, tem o mesmo conforto de uma suíte 4 estrelas. Imagine como as temporadas de verão mundo afora, seja na Bahia, Noronha, Croácia ou Caribe, ficariam muito mais interessantes e menos nocivas aos ecossistemas com um hotel “desmontável”. Acabada a temporada, desmonta-se tudo e tchau! Evidente, com a devida preservação e limpeza do espaço utilizado.

Ou ainda em temporadas específicas de grandes concentrações de pessoas em um mesmo local – como teremos aqui, Copa em 2014 e Olimpíadas em 2016. Quartos-cápsula, infra de restaurante, bar, etc, igualmente removível e pronto: acabou o evento, nada de elefantes-brancos na paisagem urbana das cidades.

É de se pensar.

in-tenta.com

 

DROP is a removable hotel ‘room’ inspired by organic shapes of nature suitable to be installed on natural locations. Its main features are: removable architecture, organic design and eco-friendly services. This portable microarchitecture is composed by modular wooden and steel elements and the structure is installed elevated to avoid contacting with the soil and minimally interfering with the unspoiled land continuing underneath. The design incorporates the use of spherical transparent enclosures that can be completely opened and bring guests into direct contact with nature.

For the modern nomad, these eco-friendly ‘rooms’ are not only sustainable but surprisingly comfortable and perfectly integrated on the surrounding landscape. ThereforeDROP is suitable for everyone who has an inherent yearning for nature and wants no negative impacts on the environment.

É tudo bambu!

Fica em Bali, no Green Village nos arredores do rio Ayung. Criado pelo time de arquitetos e artesãos locais, o Ibuku, eles se utilizam do material abundante naquele país – o bambu – para construir essa maravilha de casa sustentável. Paredes, piso, mobiliário, colunas, tudo de bambu. A CEO da empresa explica porque do uso do recurso: “Existem outras madeiras sustentáveis, mas só o bambu pode chegar a ser explorado com apenas três anos de vida. E durar uma vida toda”, disse Elora Hardy. O resultado é, além de uma casa sólida, algo absolutamente integrado a natureza.

Fica a dica aqui para nós. Que tal desenvolvermos algo semelhante com os nossos coqueiros e palmeiras, onde cantam os sabiás!?

Ibuku.com

Greenvillagebali.com

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Mais luz, menos calor

Esta casa no Paraguai explora saliências do terreno e integra ambientes abaixo da linha do solo. O projeto é do escritório Bauen Arquitetos e fica na cidade de Luque. Salas, quartos e áreas comuns ficam literalmente encravadas no solo, mantendo estes ambientes mais frescos do que o exterior. A ventilação fica por conta de imensas janelas de vidro fotovoltático, que auxiliam também na exploração da luz natural, economizando energia.

O uso de materiais naturais é bastante flagrante: paredes de pedra e revestimentos de madeira integram a decoração, bem minimalista. Do lado de fora, além de muito verde, uma piscina triangular dá um toque mais moderno ao projeto.

O que me chama a atenção aqui também é o uso inteligente do terreno. Ao invés da tradicional terraplanagem, a turma da Bauen fez das irregularidades da topografia sua maior aliada. Fantástico.

bauen.com.py

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